Ultimamente as coisas têm escorregado das minhas mãos como água. Não o é, na verdade. Mas me soa como. Principalmente em relação à minha família. Aconteceram aquelas coisas que achamos que só acontece com os outros.
Aí é que está. Para mim, aconteceu tão de repente que não pensei “poxa, logo aqui” e sim, “por que ele, sendo que a probabilidade maior de acontecer era comigo”. Por aí.
E esse de repente tornou minha semana a que eu menos dormi por preocupação da minha mãe, pois eu aparento ou me sinto indiferente. Não sei. Me preocupo com meu irmão, mas ao menos me despreocupo por saber que ele já é bem grandinho para se virar ou porque vejo que ele fez tudo por pura infantilidade, não o tempo inteiro, mas começou assim.
Depois que eu soube tenho tido longas e chatas dores de cabeça. Minha mãe disse que é um sinal do meu corpo e tralala. Acho que pode até ser verdade. Vou ser folgada e dizer que a minha preocupação está apenas nos meus sinais corporais, ou seja, a minha preocupação se expôe com a minha dor de cabeça. MAS NÃO É ISSO!
Eu estou aqui, nervosa, sabendo o que dizer [ou não], tudo por causa das atitudes do meu irmão que agora fazem a família inteira o tratarem como um garoto de 12 anos: em casa às 7:00, no máximo, ligações de 2 em 2 horas, com quem ele está, pra onde ele vai, quando e com quem ele volta. É pior do que o tratamento que a minha mãe faz comigo. Sendo que eu tenho 16 anos e meu irmão mais velho tem 22.

Aliás, tudo começou não por infantilidade dele. Também, em parte. Mas mais por sua desilusão com o pai biológico que não dá a mínima pra ele. Isso o deixou mais inseguro do que nunca. Por causa disso, ele não tem vontade de ir trabalhar, namorar, ou qualquer outra coisa. O que acabou fazendo com que ele se afundasse numa espécie de depressão reprimida [?] e tivesse desculpa para procurar outra coisa para se libertar.

É tão confuso.
Sei lá.
Isso tudo me fez me afastar dos outros, eu sei. E fiz isso com a mesma técnica. Me afastei dos meus amigos, culpando a última briga que tive com eles. Isso não é horrível e mosntruoso?
Eu tenho crises de raiva quando tô na aula de bateria, porque parece que quanto mais eu tento acertar as batidas na frente do professor, mais eu erro. E quando tô sozinha, eu acerto. Isso me deixa nervosa, porque me passa a impressão de que só consigo as coisas sozinha, não podendo dar ouvidos aos outros. Ou seja, não consigo me manter com meus amigos e comigo mesma já que agora a minha mente tá no meu irmão.
Eu até parei de gostar de todos os garotos que estavam na minha cabeça. Voltei a admirar minha solteirisse, segura de que não preciso de ninguém.

E agora, quem é o montro nessa família? Eu ou meu irmão?

“And I close my eyes, I feel it all slipping away
(I COME TOWARD YOU)
We all got left behind, We let it all slip Away.” – Left Behind – Slipknot.

Comente

*
*