É estranho. Nunca deixou de ser, é claro. Além de inconstante, porém, sempre num padrão complexo. Como avisei, é estranho.
Tão sublime que eu nem sei dizer ao certo o que é isto a que me refiro. Um sentimento? Não, muito específico. Talvez um tal de estado de espírito. E, de repente, ele surge de novo, com esses estalos. Ah, esses estalos. Eles aparecem aos montes nos dias e nos momentos em que você mais sente sua vida, ali, acontecendo. É quase como um aviso da sua mãe na sua cabeça de que você deveria ter levado a blusa de frio depois que bate um frio na nuca enquanto você vai pra casa. E, por mais que você tente ignorá-los [os estalos], eles ficam lá, te cutucando, te enchendo o saco. É necessário paciência e força de vontade do cão pra aguentar e se concentrar no que está fazendo. Muita paciência.
E nesse tal de estado de espírito, ficamos quase sem cabeça, porque ela é toda gasta em concentração em não se concentrar em nada. Em esquecer tudo. Em lembrar apenas de que agora não precisa se preocupar que tá tudo bem. Parece fácil. É fácil. Mas dificultar as coisas pode até ser divertido.
A quem estou enganando. Nunca foi tão difícil esvaziar a cabeça, haha. É sempre pensamentos ao ar que surgem, como por exemplo “Mais uma vez, Victória, você está aqui com tal pessoa, fazendo o que com ela? O que ela quer de você? Você nem sabe direito responder essas perguntas, por que está com ela, aqui, agora, então?“. Coisas como essas passam na sua cabeça a cada cinco minutos.
O que acontece? Você surta, SURTA, assim como surtei no post passado, se é que aquilo pode ser considerado como uma sombra de surto até. Dias seguintes, você lê e relê o que escreveu ou repensa o que pensou, pra saber como esse tal de estado de espírito mudou.
Agora eu estou num maldito estado de análise. Vejo como reajo às coisas, o que penso nessas horas, apesar de não seguir exatamente tudo o que penso. Me vejo aqui, escrevendo com essa tentantiva de texto bonito, me sentindo talvez uma pseudo-escritora momentaneamente e dizendo “ah, foda-se, ninguém liga mesmo”, repensando o que pensei na exata hora em que digitei as palavras do post anterior. Sabe, tô melhor. E agora, isso realmente tem que ser mostrado; por mais que eu queira falar “não faz diferença”, faz! Essa porra faz diferença. E além do mais, tô cansada de bancar a indiferente. Vamos mudar um pouco isso aqui, não é mesmo.
E quer saber? Me sinto ótima.