Por Giselle, amiga querida.

Tinha de ser assim? Um requisito seu no início, e um final redundante como sempre que em nada justifica o fato de a iniciativa vir de você, apesar de a espontaneidade ser minha? Gostaria de implorar perdão, requisitar algo, para variar; algo não relacionado diretamente a preencher minhas expectativas, enaltecer meu ego. Gostaria de preencher esse texto com algum altruísmo sincero, ainda que escasso. E, para não provocar por intermédio desse prolongamento hesitante mais dúvidas, enfatizo agora que gostaria de pertencer-lhe além dos pedidos, mas como oferenda.
Se há algum motivo concreto além das minhas incapacidades, auto-infligidas ou não, impedindo-me de me doar sem reservas, não sei. Pergunto-me se respondida a questão meus conflitos seriam outros – talvez seja minha condição essa impariedade conquistada com suor, o um. Conheço-me apenas assim, Pedro. Eu não o culpo por detestar minhas breviedades de gente covarde, gente arrogante – tampouco aguardo pela clemência sua, que pouco me importa. Carrego meus medos no coração cansado, convivo com o remorso. Sou menos gelada que aparento. Ou talvez só manifeste desespero, e julgue-me muito superior. Será que sua bondade provém da compaixão?
Muita coisa se passa pela minha mente quando leio seus textos, todos cheios de alma, ainda que pobres de pompa; todavia não ouso criticar sua originalidade. Você é bem mais real que eu, e chego a entristecer-me ao notar esse amor doce aliado a tanta determinação. Nesses momentos sim, sinto-me fraca. E pesada.
Encerro agora, Pedro. Eu poderia sim escrever um livro a respeito de nós, pois sobre você, só, seria exigir muito de mim. Constato aos poucos que o momento em que eu deixar de procurar a veemência e permitir-me um pouco mais de solidariedade, estarei pronta para compartilharmos algo. Agora não, querido. Espere por mim se puder, ou se quiser. Eu poderia ser sua Léo, no entanto, precisamos descobrir se você deseja algo além de um fantasma. Não sou tão sensual quanto essa musa, nem sempre tão forte. Será que é possível aliciar a calmaria aos seus sentimentos?

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