Bom, vou ser direta e reta. Falar tudo o que aconteceu.
Meu irmão faleceu sábado agora, dia 23. Ele sofreu um acidente de carro. Bateu com um caminhão e enfim, se foi.
De maneira curta, foi assim. Eu ainda estou me perguntando quando que vou tirar isso de fato da minha cabeça. JAMAIS conseguirei ver as coisas do mesmo jeito. Disso tenho certeza. Mas me parece que falta tirar todo um pedaço meu de tristeza para poder viver novamente. Ou colocarem um pedaço…A minha parte do Allan que se foi com ele. No fundo eu ainda atendo o telefone esperando que seja ele e que foi tudo um sonho ou disfarce….Uma grande conspiração.
Ainda não me toquei que meu irmão era aquele que estava no caixão. Ainda não to acreditando que fui eu quem insistiu pra segurar o caixão dele até o túmulo. Ainda não caiu a ficha de que era eu quem tava me segurando pra não chorar, para dar força à minha mãe que, a cada um que chegava no velório, ela caía em prantos. E ele, o MEU IRMÃO, não tava lá fisicamente para ajudá-la.
Que eu ainda tenho uma foto dele no meu celular, com aquele olhar pensativo dele. Meu irmão era lindo, aliás, É LINDO. Era nosso anjinho, como disse a minha cunhada. Ele era tão forte e agora, ele simplesmente não está mais aqui.
Ele se foi e eu sinto tanta, tanta falta dele.
E sim, eu quero um abraço e quero alguém cuidando de mim. Porque, cara, dói muito, dói demais.
A pior parte foi escolher a roupa. Os amigos chegando no velório. Na hora de dar a notícia, eu tinha ligado no automático, falei de forma fria e direta, minha voz nem ao menos chegou a tremer. Para consolar minha mãe, me entupi de floral calmante. Para cuidar do meu irmão, pensei que eu era a única para ele e, assim, tinha que ser forte. E para meu pai, eu sou filhinha, a pequena dele, por isso, tinha que me manter forte também.
Para os outros, pouco importava. Na verdade, não queria incomodá-los, aliás, todos estavam sofrendo. Meus amigos, bom…Eu também não quero atrapálha-los nem nada. Ficar tocando no mesmo assunto toda hora não me leva à nada. E, bom, eu confesso também, me distanciei tanto dos outros que nem sei mais com quem sentar e chorar. Sentar e me abrir de fato. Aliás, acho que talvez eu devesse reavaliar meus conceitos e sim, confiar mesmo nas pessoas que estão ao meu redor.
Perguntem quantas coisas quiserem. Eu não vou me recusar a dizer a não ser que ache realmente desncessário.
Minha cabeça dói.